“A polícia do politicamente correto”, por Chris Brecheen

Esta é uma tradução de “The P.C. Police!”, por Chris Brecheen, no site Writing About Writing.

Aviso de conteúdo: figura com vítima de violência doméstica e uma “piada” misógina.

Um comentarista anônimo escreve:

“Fala sério, Chris. Você não acha ruim que a polícia do politicamente correto está censurando escritores? Toda vez que eu uso uma palavra, a polícia do politicamente correta chuta a minha porta abaixo feito Scott Pilgrim (“No dia 21 de dezembro você intencionalmente usou a palavra ‘retardado'”; “Retardado não é politicamente correto?”; “Não, é errado dizer isso!”; “No dia 5 de fevereiro você intencionalmente se referiu a uma pessoa gorda com a palavra ‘gorda'”; “Gorda não é uma palavra politicamente correta?” “Expulse-o da sociedade!”). É como se não pudéssemos escrever mais nada sem ofender alguém. Eu não consigo mais acompanhar as regras. Quando as pessoas vão entender que as palavras só têm o poder que as pessoas lhes dão? E bons escritores não deveriam ofender as pessoas?”

Minha resposta:

Não. Bons escritores fazem as pessoas se sentirem confortáveis sobre o que elas já pensam. Grandes escritores ofendem pessoas.

No entanto, anônimo, você precisa apurar seus ouvidos porque você errou feio, errou rude. Receio que, agora que você foi expulso da sociedade, eu vou ter que ser tão sarcástico com você que você vai explodir.

(…) Você parece estar confundindo insultos com “ofensas”. Humbert Humbert me ofende, mas eu não acho que Nabokov estava fazendo uma apologia à pedofilia – H. H. deveria ser ofensivo. Usar o termo “retardado” não me ofende em particular como uma pessoa com boa saúde mental, mas eu reconheço que o termo faz parte de uma cultura de estigmatização de pessoas com paralisia cerebral. Além disso, a palavra “gorda” em si nao ofende pessoas com sobrepeso em geral; o que ofende é sussurrar e tentar evitar a palavra com olhares preocupados e eufemismos, como se fosse vergonhoso ser gordo, tirar sarro do peso das pessoas ou usar a palavra como se fosse um insulto em vez de uma descrição.

Deixe-me explicar a diferença.

“Deixe-me explicar. E eu vou usar palavras pequenas para que você possa entender, seu bufão com cara de javali” – isso é bastante ofensivo, mas não causa nenhum mal real.

Em primeiro lugar, você deveria se envergonhar. Sério.

Essa merda de “são só palavras, não vão me machucar” pode funcionar quando você tem 5 anos de idade e precisa aprumar suas calças de criança grande e superar o fato de que a Jênifer te chamou de cara de cocozão (não que a Jênifer não precise de um tempo na cadeira do pensamento, mas você provavelmente vai sobreviver o trauma).

No entanto, enquanto escritor você deveria inequivocamente saber que nossa espécie literalmente define sua realidade e sua percepção do mundo ao seu redor através de histórias. Tudo é uma história. Quem você é. Como você chegou até aqui. Aonde você vai. O que você pensa sobre X. O que pensamos sobre aquelas pessoas. E se suas vidas são tão valiosas quanto as nossas. Tudo tem a ver com histórias. É parte do que nos torna únicos enquanto humanos: existimos somente em um instante inefável, como um quadro de um filme, mas o celulóide que mantém o nosso passado e define nosso mundo como algo além de uma sobrevivência caótica por entre momentos desconexos é feito de histórias. Tudo, desde nossa habilidade de passar adiante a somatória de nosso conhecimento até nossa habilidade de fazer uma inferência se baseia em histórias. Nós até vemos nossas próprias vidas como uma espécie de narrativa.

E os tijolos dessas histórias são palavras. As palavras dão forma às histórias que contamos.

Então se suas histórias estão cheias de palavras que equacionam uma classe de pessoas a histórias negativas, o que você acha que acontece com a sua opinião sobre essas pessoas? Mesmo se você “não teve essa intenção”, que tipos de conexões você acha que as pessoas fazem? O que você está dizendo sobre seu valor como seres humanos? O que você está reforçando para si mesmo? E para outros? O que acontece quando você ignora o que essas pessoas dizem a você sobre o que uma palavra significa para elas, sua história, seu contexto?

(…) É dessa forma que muitos em posições de poder confundem “ofender” com “causar dano”. Piadas sobre pênis e peidos são ofensivas (para alguns). Piadas sobre bebês mortos são ofensivas (para muitos). Dizer que pessoas brancas gostam de Starbucks pode ser ofensivo (para alguns poucos). Nenhuma dessas piadas de fato contribui para alguma opressãso. Chamar alguém de retardado é uma forma de tirar sarro dessa pessoa – usar a palavra retardado como sinônimo de não ter inteligência ou ser incapaz faz com que todos que encontrem alguém com paralisia cerebral, por exemplo, faça (conscientemente ou não) conexões sobre sua inteligência ou capacidade. Você equacionou essas pessoas com uma característica negativa.

E, de fato, o que acontece quando pessoas encontram gente com paralisia cerebral é tratá-los como se não fossem inteligentes ou capazes. Isso deixa de ser uma questão de ofender alguém com sensibilidades delicadas.

Mas eu não faço essas conexões! Eu sou um pessoa de bem.

A) Se você não parar de usar um insulto, não, você não é não. B) Não é assim que a linguística funciona – é por isso que a primeira coisa que acontece antes de um genocídio é que as pessoas que estão prestes a serem mortas são comparadas a ratos ou baratas.

Insultos, estereótipos, e discursos de ódio contribuem para a opressão sistemática de pessoas marginalizadas. Eles são o ruído de fundo que justifica desrespeitos. Eles levam a aplicações desiguais de empatia, nuance, e rigor intelectual. Eles apontam quem se pode ignorar, sobre quem se pode rir, quem pode ser desconsiderado.

Indicam quem se pode odiar.

Mas eu não! Eu não odeio ninguém.

Tem certeza? Porque nesse momento tudo que estão pedindo é que você pare de usar uma palavra, e você está ficando irritado com isso.

Vemos repetidamente que os resultados de palavras preconceituosas têm efeitos mensuráveis sobre comportamento preconceituoso. Houve estudos conectando o uso de insultos com mais frequente comportamento preconceituoso. Brutalidade policial, discriminação laboral, políticas externas quanto a nações não-europeias, médicos que ignoram problemas de saúde evitáveis para deixar de lado pessoas gordas dizendo que elas só precisam perder peso, prédios sem acessibilidade, a normalização de sexo sem consentimento, discriminação no acesso à compra de imóveis, e até mesmo justificações tácitas para crimes violentos – incluindo pessoas que são mortas por ser quem são (e se você acha que o racismo não causa mortes, que a misoginia não causa mortes, que a transfobia não causa mortes, que a homofobia não causa… Bem, você simplesmente não está prestando atenção).

Não tem porra de mistério nenhum quanto ao porquê de crimes de ódio aumentaram quando certas “meras palavras” começam a se tornar comuns.

“Um terço das mulheres sofrem de violência doméstica. Dois terços dos homens não estão fazendo seu trabalho”. – Algo que não é ofensivo para muitos homens, porque é “só uma piada” – mas que causa danos reais.

Essa não é uma categoria discursiva que as pessoas podem simplesmente “superar”. Isso vai além de “ser ofendido” (embora seja com frequência ofensiva também). Ninguém tem o direito de nunca se ofender. Mas todos têm o direito de falar quando as palavras que estão moldando sua realidade não lhes conferem uma dignidade humana básica (E se isso te OFENDE, ora ora, não é irônico?). É aqueles que estão no topo das hierarquias sociais (homens brancos em particular) que acham que palavras não podem realmente machucar as pessoas porque não há palavras que possam fazer mais que ofendê-los.

Será que uma palavra sua vai causar um crime de ódio? Não. O uso repetido, constante e ubíquo por parte de uma cultura de desrespeito cria uma desumanização que leva a crimes de ódio? Bem, podemos ver claramente que sim.

Não, não se trata de censura. Certamente não se trata de o governo vir até a suas casa, chutar abaixo sua porta, levar o seu computador e te jogar na prisão. Aí você poderia reclamar sobre como está sendo oprimido, mas até lá você não pode dizer que esse é o caso só porque está recebendo alguns tuítes nervosos.

A verdade é que a polícia nem liga pra ameaças de morte.

Ah, mas espera” Isso não é “LIBERDADES PRESSÃO” legalmente falando mas se trata de um “efeito tranquilizador sobre o discurso”, o que é um tipo de “censura”, certo? Alguns – quase smepre aqueles que não sofrem os efeitos dessas palavras (brancos, homens, cisgêneros, heterossexuais, etc) – falam desse “efeito” quando são forçados a considerar o impacto de seus insultos quando chamam um time de futebol de bando de viados ou quando chamam os perdedores de mulherzinhas. Porque sinceramente o que essas pessoas querem não é liberdade de expressão, mas serem libres DAS consequências da expressão.

E se você olhar em volta, você deve notar que as coisas estão bem não-tranquilas.

Não, não são só palavras.

É sobre as palavras e as pessoas que têm a coragem de dizer que as suas palavras podem lhes causar dano psicológico real e duradouro. E ganha 10 pontos quem encontrar a ironia na posição de quem quer silenciar seus detratores e reclama de censura. Puta merda, Deus me livre que você, como escritor, pare um só momento pra pensar direito no que as suas palavras significam. Ou você faltou o dia que ensinaram a escrever na escola?

Olha, anônimo, há mais ou menos nove categorias de discurso quanto às quais você deve ser cuidadoso. Racismo, misoginia/sexismo, capacitismo, transfobia/transantagonismo, gordofobia, homofobia/heteronormatividade, classismo, preconceito quanto à idade, e certos tipos de preconceito étnico/religioso que não se encaixam perfeitamente em questões de raça. Há algumas variações que não se encaixam nessas categorias muito bem (como usar palavras violentas em relação a quem trabalha com sexo), mas são principalmente palavras que reforçam uma hierarquia social e uma dinâmica de poder que empurram pessoas para as margens da sociedade, operando muito além da mera “ofensa”.

É isso.

Não é uma enorme lista de palavras que poderiam ser insultos ou um complexo conceitual impossível de entender, e é certamente parte de uma certa dinâmica de poder dizer que você não consegue aprender isso.

Aviso: “Eu não consigo acompanhar as regras” sempre sempre SEMPRE significa “eu não quero me esforçar pra acompanhar as regras”.

O mesmo cara que diz “embora existam apenas 151 pokemons que você pode descobrir, eu conheço todos os 802 que existem” diz “quem poderia acompanhar palavras que se foram ficando cada vez mais problemáticas desde 1997?”

Muitos de nós memorizaram mais palavras quando foram obrigados a cantar o hino nacional no ensino fundamental, e conceptualizamos ainda mais ideias para a prova de geometria. É verdade que há mais envolvido em entender discursos de ódio que aprender uma lista de palavras que fazem você parecer um idiota quando as usa, mas você está falando sobre pessoas que estão diretamente reclamando das coisas que você escreve. Então você não precisa fazer muito mais se ter empatia e ouvir às histórias dos outros é demais pro seu estômago.

E aliás, não foram “essas pessoas” e a sensibilidade de flor de deserto delas que “deu poder às palavras”. Foram os opressores que usaram essas palavras para justificar sua opressão, que têm usado essas palavras para tirar a humanidade de seres humanos, com frequência de maneira sangrenta através da história, então não é realmente muito pedir para que você use 0.00001% dos seus 10 terabytes de memória para aprender sobre as palavras que contribuem com a opressão sistemática de outros seres humanos.

O cara nerdão diz: “Não chame ele de Passolargo porque na verdade ele era Aragorn o Segundo, filho de Arathorn, herdeiro de Isildur e aquele que por todo esse tempo teve direito aos tronos de Arnor e Gondor. Ele foi chamado de Estel pelos elfos para deixá-lo a salvo porque se alguém soubesse quem ele eralmente era, Sauron poderia matá-lo. E ele também usou o nome Thorongil quando serviu a Theoden e aos pais de Denathor (Thengel e Ecthelion o Segundo respectivamente). Ele também foi o Chefe dos Guardiães do Nortee carrega a espada Narsil, que foi renomeada Anduril mas era originalmente a Espada de Elendil”.

O mesmo cara diz: “O quê? Retardado é um insulto agora? Quem consegue acompanhar isso”.

Se você vai afirmar que perder acesso a algumas centenas de palavras em uma linguagem com um milhão ed palavras é algo que limita a sua gloriosa criatividade, você deveria simplesmente abraçar o seu esfíncter interior (que é bem parecido com o exterior, mas tem mais merda), e parar de me escrever pedindo permissão pra ser um babaca repugnante. Pessoas vão gritar “ai” toda vez que você pisar nos dedos delas, e se você disse que elas não estão sentindo dor de verdade porque não foi sua intenção machucá-las, elas vão te explicar por que você é um idiota.

E sem querer ser muito específico, anônimo, mas se você vai ficar todo ferido e choroso quando alguém te disser que você está sendo ofensivo, você não é provavelmente o campeão da liberdade de expressão que você acha que é, e você poderia parar de usar palavras ofensivas para que as pessoas parem de machucar seus frágeis sentimentos com a liberdade de expressão delas.

Você PODE usar essas palavras? Claro que pode. Porque afinal de contas, você vive nos Estados Unidos, um lugar em que o governo NÃO VAI chutar sua porta abaixo. E se você quiser colocá-las na boca de um personagem ficcional ele será visto como preconceituoso – talvez alguns o vejam como alguém nuançado, que tenha também outras qualidades que o redimam, enquanto outros o vejam como lixo humano, mas essa é a sua escolha enquanto autor (embora se ficar claro que você concorda com esse personagem ou não ver nada de errado com seu comportamento, você também será atacado enquanto autor por isso).

Você SERÁ capaz de usar essas palavras sem consequências? Não tanto agora que a internet evitou que homens ricos, brancos, cisgênero, héteros, etc, controlem TODOS os espaços e todas as vozes. Mas as consequências serão menores se você deixa de entrar no Facebook e no Twitter por uns dias.

Você DEVERIA parar de usá-las? Obviamente eu acho que deveria (fora de contextos como personagens problemáticos). Mas é algo que você vai ter que decidir por si mesmo como parte de seu próprio código moral e sua própria empatia em relação a outros seres humanos, e em relação a quão confortável você está fazendo parte da linguística da opressão sistemática.

Mas eu vou dizer uma coisa, e vou dizê-la de uma forma tão direta quanto possível, para que seja IMPOSSÍVEL você deixar de entender:

Se você não consegue insultar as pessoas sem usar insultos contra grupos marginalizados, você é provavelmente um escritor muito, muito ruim.

Dicas para escritores novatos do agente Jonny Geller

Aqui está o que procuramos em romances escritas por autores iniciantes; espero que ajude!

  1. Não nos faça sentir que estamos começando uma história com você. Comece o livro como se já estivesse no meio da história, e o termine como se fosse um novo começo.
  2. O enredo é muito importante, mas não às custas do desenvolvimento dos personagens. Nós seguiremos um personagem bem desenvolvido aonde quer que ele vá, mas vamos questionar tudo que um personagem mal desenvolvido faz.
  3. A maneira como a história faz o leitor se sentir é tão importante quanto a forma como ela o faz pensar.
  4. Ame o processo de escrita, mas não espere gostar de ler o que você escreveu.
  5. Nós lemos para aprender, experimentar e sentir algo novo. Conforto é uma anátema para escritores e leitores podem facilmente perceber complacência.
  6. Leve os seus personagens ao limite. É mais fácil tirá-los do limite do penhasco que seguir empurrando-os morro acima.

Tradução do post do blog Pretty Things (que mostra os tweets do agente Jonny Geller)

Notas de lançamento da versão 2.180606

Lançada a versão 2.180606, que inclui pequenas correções ao jogo.

Retrocompatibilidade

Esta versão é compatível até a versão 2.180420.

Modificações

Nomenclatura

  • O “modo simples” e o “modo Bourdieu” agora chama-se “sem contexto” e “com contexto”, respectivamente.

Arquivos

  • Refletindo a mudança de nomenclatura, os arquivos estão com títulos diferentes, e os tutoriais foram atualizados.
  • Não há mais resumo de regras de hegemonia, pois estas foram incorporadas ao tutorial do jogo com contexto.

MCA

  • Pequenas correções estilísticas.
  • O glossário foi modificado para refletir as mudanças de nomenclatura.
  • A questão dos bloqueios em algumas hegemonias foi esclarecida.
  • As observações quanto à carta A burocracia do comércio globalizado foram modificadas.
  • As referências às cartas foram ajustadas de acordo com as modificações feitas na nova versão.

Tutoriais básicos

  • Não há mais resumo de regras de hegemonia, pois estas foram incorporadas ao tutorial do jogo com contexto.
  • O conteúdo dos tutoriais básicos foi ajustado e transposto para a wiki.

Notas de lançamento da versão 2.180423

Lançada a versão 2.180423! Além de completar mais algumas coisas do Roadmap para as versões 2.x, esta versão conserta um problema sério com a carta Carreira no serviço público. Inicialmente ela foi pensada como uma forma de sinalizar um tipo de carreirismo que leva ao afastamento da luta por transformação social, à acomodação em privilégios burocráticos, etc. Contudo, não só este não é o único carreirismo que leva a esse resultado (porquanto por “serviço público” o grande público entenderá o trabalho estatal), mas pode-se ter uma carreira no serviço público que seja combativa; além do que, a “carreira” descreve uma trajetória profissional que não necessariamente significa o crescimento acompanhado da desistência em relação à luta social, de modo que a carta parece meramente repetir uma velha historieta neoliberal quanto aos servidores públicos que não os representa adequadamente.

Retrocompatibilidade

Esta versão é compatível até a versão 2.180420.

Modificações

Cartas modificadas

  • A carta Carreira no serviço público é deprecada em favor da Sindicatos pelegos, que sai do deck social para entrar no deck principal; contudo, seus efeitos são combinados (Novo efeito da carta Sindicatos pelegos: Não apoie revoltas. O último a ter feito algum descarte compra 1 carta.).
  • A carta Abolicionismo penal agora é a carta número 199.
  • A carta Sigilo pagão agora é Feitiçaria, e tem novo efeito: O jogador com 2 cartas compra 1 carta.

Composição dos decks

  • No deck social há agora 2 cartas Liderança (5 naturais) e 45 cartas estruturais.

Notas de lançamento da versão 2.180421

Nesta versão foram realizadas apenas pequenas correções estéticas.

Retrocompatibilidade

Esta versão é compatível até a versão 2.180420.

Modificações

Arquivos

  • No conjunto completo de decks, a arte das cartas Repressão policial, Leis trabalhistas, Corrupção sistêmica, Presidencialismo de coalizão, Métodos contraceptivos contemporâneos e Parlamentarismo estavam incorretas (fonte menor que o correto em algum elemento; espaços desnecessários; quebra não-óptima de linha).

Notas de lançamento da versão 2.180420

Lançada a versão 2.180420, primeira do tronco 2.x! Apesar das modificações desde as versões 1.x não parecerem muito profundas, as mudanças na carta Nova Geração mudam a dinâmica de jogo substancialmente.

Na medida em que ela acabava se tornando a principal forma de mudar as estruturas, havia uma pressão cognitiva muito grande durante a partida para verificar se o número de cartas nas mãos dos jogadores era par ou ímpar. Isso deixa o jogo muito travado. Evidentemente, o que os jogadores realmente querem é poder “agir” mais, o que diminuiria o aspecto do jogo enquanto representação da dinâmica social, além do aspecto tático de ser um jogo em que, com menos momentos de ação (agência), cada momento torna-se mais importante.

Ter a Nova Geração – e pela proporção dela no deck, isso não é difícil – e não poder usá-la depois de constatar que as cartas nas mãos dos jogadores são ímpares, e ainda por cima estar numa sociedade em que isso não muda, é diferente de não ter a carta e seguir o jogo normalmente sem expectativas, sem a constante lembrança da impossibilidade de mudança. O jogador se acostuma mais rápido com o fato de que o jogo depende das estruturas; deixa-o mais tático, e libera sua atenção para a análise do jogo, evitando a preocupação constante com esse detalhe arbitrário (o número de cartas nas mãos dos jogadores).

Assim, é importante que o efeito da carta seja modificado. A direção escolhida foi torná-lo mais leniente: se você tem a carta na mão, pode usá-la para mudar uma estrutura. Contudo, isso deixaria o jogo dinâmico demais, tornando a própria alteração estrutural menos relevante. Portanto, é preciso diminuir a proporção da carta no jogo para acompanhar essa transformação de permissividade. Isso tem efeitos ”enormes” sobre a composição dos decks, pois muda a proporção de cartas naturais e abre “vagas”, em cada deck, para novas cartas. Tendo isso em vista, algumas cartas também tiveram seus efeitos reformados.

Algumas cartas que possibilitavam recusa de efeitos não eram claras quanto a ”quando” os efeitos podiam ser recusados; isso foi corrigido também.

A dinâmica da revolta também foi revista, em conjunto com Thereza Cristina Viana; observar a diferença entre as cartas é outra pressão cognitiva meio arbitrária – além de ser relativamente atravancada para explicar. Por outro lado, é muito interessante porque ela envolve a desigualdade contextual, atual, de uma partida – e contém o elemento da aprovação, que é fundamental, inclusive pelo fato de que a história é escrita pelos vencedores – padrão a partir do qual nascem as diferenteças entre crimes, rebeldias, levantes, terrorismos e revoluções. Não se pode visualizar no momento alternativas. Rechaçou-se a ideia de uma carta natural (como a Liderança ao contrário, pra quem tem mais cartas), pois deixaria a revolta muito aleatória, além de negligenciar a questão tática do jogador que deve não prejudicar muito alguém se quer evitar revoltas. Poderia ser também algum outro mecanismo que não envolva contar a diferença entre as cartas, mas isso também enfraquece uma interação a mais entre os jogadores (em termos da observação de quem está à frente na partida) e significaria introduzir ”outro” mecanismo, que poderia ser ainda mais confuso e distante da dinâmica principal do jogo. A dinâmica da revolta, assim, foi mantida.

Outras dinâmicas cogitadas, mas em última instância rejeitadas, foram cartas naturais para mudanças estruturais “planejadas” (não só porque crises se tornariam mais previsíveis, mas como nem toda sociedade é (pró-forma ou realmente) democrática na maneira como planeja suas transformações e seu direcionamento de valor, isso não faz muito sentido como carta natural). Outra ideia foi uma carta natural de “enganação”; porém, não faria muito sentido uma dinâmica de “ações secretas” no jogo, tanto em termos de analogia sociológica quanto de dinâmica lúdica.

Retrocompatibilidade

Esta versão não é compatível com as anteriores.

Modificações

Composição dos decks

  • No deck principal, há agora 8 cartas Nova Geração (12 naturais).
  • No deck histórico, há agora 2 cartas Nova Geração (8 naturais), com o deck todo passando a ter 40 cartas ao total.
  • No deck teórico, há agora 2 cartas Nova Geração (8 naturais), com o deck todo passando a ter 40 cartas ao total.
  • No deck estratégico, há agora 2 cartas Nova Geração (8 naturais), com o deck todo passando a ter 40 cartas ao total.
  • No deck social há agora 3 cartas Nova Geração e 1 carta Liderança (4 naturais), com o deck todo passando a ter 50 cartas ao total.
  • O baralho completo de Agência agora conta com 250 cartas, das quais 40 são naturais.

Cartas deprecadas

  • O modelo nórdico: já existe o Estado de bem-estar social; a forma como isso afeta outros países em termos neocoloniais, etc, acho que depende das outras estruturas na partida e, de qualquer modo, diz algo que o Estado de bem-estar social não faz ninguém ganhar de fato, só equaliza um pouco as coisas.
  • Startups e vaporware: já há A burocracia do comércio globalizado, Neoliberalismo e Indústria cultural e mídia de massa: a sociedade do espetáculo!.
  • O sonho americano: já há Mobilidade social, Meritocracia, O indivíduo kantiano, entre outras. Além disso, A ideia do “sonho americano” tem mais a ver com a interpretação de que a mobilidade social pode ocorrer a qualquer momento – ou seja, é quase uma ideologia que contradiz a própria lógica do jogo, de prestar atenção às estruturas e as restrições que elas impõem à agência individual. Anteriormente a ideia era refletir sobre os efeitos de ”crer” nessa ideia, ou ainda sobre os reais efeitos da dinâmica estadunidense no século XX, mas, como colocado, há uma série de outras cartas que podem ser combinadas nesse sentido e respondem por seus aspectos constitutivos.
  • Política identitária: não só esse conceito não é muito claro para começo de conversa (em certo sentido toda política é identitária), como em muitos casos é usado de forma reacionária e ele é mais ou menos contemplado por diversas outras cartas, tais como Revolução feminista, Representatividade sociopolítica e Teoria queer.

Cartas modificadas

  • A carta Guerra civil sai do deck estratégico e vai para o deck histórico.
  • A carta Iluminismo sai do deck histórico e entra no deck teórico.
  • A carta Zona de exclusão aérea sai do deck histórico e entra no deck estratégico.
  • A carta Abolicionismo penal sai do deck teórico e entra no deck social.
  • As cartas Redes sociais na era das câmeras ubíquas e Estatuto do desarmamento saem do deck social e entram no deck histórico.
  • As cartas Boicotes e abaixo-assinados e Sociedades secretas saem do deck social e entram no deck estratégico.
  • As cartas O sistema prisional, Estado de bem-estar social e Legislação ambiental saem do deck social e entram no deck principal.
  • A carta Satisfação coletiva torna-se A erradicação da varíola e sai do deck social para entrar no deck histórico.
  • A carta Ludismo é renomeada como Centro histórico tombado.
  • A carta Criptomoedas é renomeada como Blockchain, tem novo efeito (Compre 1 carta. Todos precisam da aprovação de ao menos 1 outro jogador para usar uma carta Nova geração.), sai do deck histórico e entra no deck social.
  • Novo efeito da carta Nova Geração: Descarte esta carta e altere uma estrutura.
  • Novo efeito da carta Explosão demográfica: Todos podem usar a carta Nova geração sem descartá-la. Troque 1 carta com o próximo a jogar.
  • Novo efeito da carta Existencialismo: Todo adversário pode recusar o efeito de sua estrutura em sua jogada. Todos compram 1 carta. A jogada seguinte ativa uma crise.
  • Novo efeito da carta Positivismo: O(s) adversário(s) com número par de cartas pode(m) recusar o efeito de sua(s) estrutura(s) em suas jogadas. Entregue 1 carta para o último a jogar.
  • Novo efeito da carta Vantagem do incumbente: O jogador mais alto no campo pode recusar o efeito de sua estrutura em sua jogada. Causa crise caso esta seja a estrutura do jogador na linha mais alta. Descarte 1 carta.

Novas cartas

  • Métodos contraceptivos contemporâneos. Efeito: A carta Nova geração não pode ser usada.
  • Levante de Pentrich. Efeito: O jogador com mais cartas pode vetar alterações estruturais – exceto a que substitui esta carta. O próximo a jogar compra 1 carta.
  • Peste negra. Efeito: Todos compram um terço do número de cartas na mão do jogador com mais cartas, arredondando o número para cima.
  • Revolução industrial. Efeito: O número de cartas a serem compradas, descartadas, entregues e trocadas em cada estrutura dobra.
  • Tratado de Vestfália. Efeito: Os 2 jogadores com menos cartas não compram cartas. Não causa crise.
  • Neoplatonismo. Efeito: Todo jogador cuja estrutura não faz terceiros comprarem cartas descarta 1 carta.
  • Teoria do reconhecimento. Efeito: Todo adversário que aprovou uma revolta proposta por você na partida descarta 1 carta.
  • Ritos de passagem. Efeito: Todos compram 1 carta a cada crise. Descarte 1 carta.

Arquivos

  • Há apenas um Conjunto completo de decks agora, com um complemento de cartas ideológicas adaptadas para que possam ser ser utilizadas em preto e branco mais facilmente. Há planos para combinar os dois formatos em um futuro design, deprecando o PDF complementar.

MCA

  • As referências às cartas foram ajustadas de acordo com as modificações feitas na nova versão.

Tutoriais básicos

  • A referência à quantidade de cartas no deck principal foi retirada do Tutorial básico.
  • A descrição dos decks adicionais foi corrigida no Tutorial do modo Bourdieu.
  • Correções e pequenas mudanças estéticas no Tutorial da hegemonia.

Notas de lançamento da versão 1.180417

Lançada a versão 1.180417, a primeira versão pública do jogo!

Retrocompatibilidade

Esta versão é compatível até a versão 1.180416.

Modificações

Arquivos

  • O PDF do tutorial básico das regras do “modo Bourdieu” foi atualizado, com duas colunas e a adição da questão dos desempates, que não estava lá antes.

Ideias abandonadas ou removidas até a versão 1.180416

Cartas

  • Imaginação sociológica; Estruturação; Sociedade civil; Sociedade do risco; Desigualdade; Igualdade; Inclusão social – Não vejo como se encaixariam muito no jogo enquanto estruturas específicas, pois são ”imanentes” ao jogo.
  • Esfera pública – Parece um conceito bastante difuso entre outras cartas; além disso, há a carta Liberdade de imprensa e expressão.
  • Racismo, discriminação, homofobia e similares – Subjaz outras cartas, do Conservadorismo cultural até o Etnogenocídio, passando por Relações coloniais.
  • Corrosão do caráter, Capitalismo tardio, Alta modernidade e similares – Já está representado, de certa forma, em cartas como Modernidade líquida e Pós-modernismo.
  • Desconstrução; Relativismo cultural – Ver Pós-modernismo.
  • Neocolonialismo – Ver Relações coloniais e Flagelo do imperialismo.
  • Intervenção [militar] internacional – Ver Flagelo do imperialismo e Missão de paz da ONU.
  • Nepotismo – Ver Sobrenome tradicional.
  • Diáspora – Ver Perseguição religiosa.
  • Imunidade parlamentar, Foro privilegiado e similares – Ver Vantagem do incumbente.
  • População decrescente – Isso é mais uma consequência ou efeito de estruturas como muitas das presentes, do Etnogenocídio ao Métodos contraceptivos contemporâneos.
  • Língua ou cultura em extinção e similares – Ver Etnogenocídio; ainda que ele não responda pela perda de linguagens, as raízes estão por aí, ou em outras questões como A burocracia do comércio globalizado, por exemplo.
  • Fome, miséria, pobreza e similares – Ideias em alguns casos imanentes à dinâmica do jogo; em outros, consequência de estruturas presentes no jogo.
  • Experimentos genéticos – Ver Darwinismo social.
  • Conceitos de Hobbes, Locke, Rousseau; Monopólio do uso da força; Concentração de poder; Autoritarismo; Ditadura; Contrato social – Em alguns casos isto já é imanente ao jogo e suas dinâmicas, em outros estão difusos em várias cartas e ideologias.
  • Separação dos poderes e similares – Ver Republicanismo madisoniano e toda a ideologia “O espírito de Cícero”.
  • Maquiavelismo, Razões de Estado e similares – Não só em alguns sentidos é uma ideia imanente a algumas dinâmicas do jogo como também não seria bom representar mal a figura do teórico Maquiavel com algo que o reduzisse erroneamente a “os fins justificam os meios” e semelhantes.
  • Natureza humana e similares: Por um lado não creio que se encaixe na ideia do jogo, mas enquanto ideia pode fazer parte de estruturas como A ordem natural das coisas.
  • Desmonte da educação – Ver O fim da história, Altas taxas de analfabetismo, Plano de privatizações, entre outras.
  • Austeridade – Ver Neoliberalismo.
  • Crise econômica, Desemprego e similares – A ideia de crise já é integral ao jogo, além de todo tipo de estrutura que pode causar tais crises e problemas.
  • Mercado de trabalho, Trabalho alienado e similares – Não só é muito genérico como também já é em certa medida contemplado por Mais-valia.
  • A pirâmide social; “Establishment”; Plutocracia; Fisiocracia; Alternância de elites – Em alguns sentidos algumas dessas ideias são imanentens à dinâmica do jogo, e em outros já há conceitos e estruturas que expressam melhor essa questão, do Patrimonialismo à Burocracia partidária passando pelo Neoliberalismo.
  • Fake news – Ver A máquina política de propaganda.
  • Cartesianismo, Racionalismo e similares – Ver Iluminismo e Positivismo.
  • Politeísmo; Misticismo; Espiritismo; Cristianismo; Budismo; Judaísmo; Islamismo; Neopentecostalismo; Ateísmo; Agnosticismo; Qualquer crença particular em relação às religiões – Seria complicado definir efeitos em termos de vantagens e desvantagens para religiões específicas, muito embora isso possa ser lido como uma afirmação, por omissão, de que há alguma equivalência entre todas. Ver também Identidade religiosa e Secularismo.
  • Líder, Liderança comunitária, Associação de moradores, Associação de bairro e similares – Não só existe a Liderança como carta natural e integral portanto à dinâmica do jogo, há também a Cooperação comunitária e a Mobilização popular.
  • Jeitinho brasileiro; Carteirada – Ver Sobrenome tradicional.
  • Criatividade, Inovação e similares – Não só há a Liderança como carta natural e integral portanto à dinâmica do jogo como a própria ideia de que quem tem mais cartas resolve crises e propõe revoltas está relacionada a isso.
  • Decapitação do rei; Revolução Francesa – Ver Revoluções burguesas e Tomada da Bastilha.
  • Revolução dos Costumes, Cultura Rebelde e similares – Com a carta Nova geração, estas perderam sentido como estruturas.
  • Ordem e progresso – Nome anterior da carta Positivismo.
  • O calendário maia; Aritmética; Astronomia; Engenharia; Infrastrutura – Não coloquei esses conceitos dessa forma porque supus que muitas questões científicas teriam que ser exploradas como estruturas sociais, o que me parece impróprio. Não obstante, ver, por exemplo, A linguagem do universo.
  • SUS – Ver Estado de bem-estar social.
  • Jogos olímpicos, Grandes eventos esportivos, Copa do mundo FIFA e similares – Por um lado são diferentes do Pão e circo, mas por outro são muito semelhantes e não estava claro qual deveria ser seu efeito.
  • Congresso das Nações Unidas – Ver Tratado de Vestfália e Tratados internacionais.
  • Empreendedorismo – Não vi como julgar exatamente isso: como um fenômeno cultural que aborrece, ou parte de um avanço neoliberal mais sério? Em relação ao próprio jogador – é algo que pode “dar certo” financeiramente falando e pode não dar, custando-lhe muito. De qualquer maneira, representado em cartas da ideologia “A utopia austríaca”.
  • Referendo; Plebiscito – Não só a ideia de aprovação popular está embutido na dinâmica das revoltas como também há estruturas como Assembleia constituinte, Democracia direta e Mobilização popular.
  • Confederação Tamoio – Ver Tratados internacionais, Cooperação comunitária e Resistência guerrilheira.
  • Desmilitarização da polícia – Praticamente toda polícia é desmilitarizada e a essência de sua operação dentro da sociedade capitalista estatal pouco difere.
  • Miscigenação cultural, sincretismo e similares – Ver Humanismo cosmopolita.
  • Algo relacionado a Rojava: Ver Revolução feminista e Confederalismo autogestionário.
  • Livre mercado – Genérico demais e representado em outras cartas, como Neoliberalismo.
  • Terceirização; Outsourcing – Ver Neoliberalismo.
  • Hedonismo – Ver Consumismo.
  • Lavagem de dinheiro, Caixa 2, Paraíso fiscal e similares: Ver Corrupção sistêmica.
  • Cessar-fogo – Ver Rendição incondicional; em tese, sempre que uma guerra é retirada de uma estrutura isso pode significar um cessar-fogo, uma declaração de paz, etc.
  • Patriotismo; Nacionalismo; Jingoísmo – Ver Populismo xenófobo como aproximação de uma potencialização desses elementos que, se menos intensos, são genéricos demais.
  • Juros de cartão de crédito: Ver Falência.
  • Caridade – Ver Ajuda humanitária.
  • Livro, filho e árvore – Esta carta não só presume demais acerca dos objetivos da vida (que no caso é mais uma questão do campo e das condições de vitória), mas também é individualista demais para servir como estrutura. Não obstante, ver A pessoa certa no lugar certo.
  • Economia planificada – Ver Estatização dos meios de produção.
  • Plutocracia – Ver Aristocracia financeira.
  • Sensibilidade ecológica – Não acho relevante o bastante para se diferenciar ao mesmo tempo de Legislação ambiental e Desenvolvimento sustentável.
  • Investimento de risco; Bolha financeira – Ver Quebra da bolsa de valores.
  • Catástrofe ambiental – Ver Aquecimento global.
  • Messianismo – Como JG apontou no primeiro jogo de teste, antes mesmo da primeira versão pública, esse é primariamente um termo hostil / de propaganda pra desqualificar movimentos sociais das classes mais pobres, de modo que foi removido.
  • Destino manifesto – Ver todas as cartas relacionadas a guerras, além de Relações coloniais.

Dinâmica de jogo

  • A prioridade na resolução de crises e revoltas costumava ser do jogador que batesse primeiro com a mão no monte de cartas. Isso era péssimo por vários motivos, desde deixar um jogo tático como este à mercê de um fator que depende bastante do aspecto físico dos jogadores, até prejuízo da própria integridade das cartas, irritação quanto às regras exatas em relação ao tempo e o jeito de bater nas cartas, entre outras coisas.
  • Antes, era possível ativar revoltas após um período de tempo depois da última crise. Isso criava uma dinâmica confusa em relação a quando exatamente era possível propor uma revolta e criava um ”gameplay” mais chato, com um ”status quo” mais estável (tampouco havia cartas naturais).
  • Cogitei a ideia de fazer com que a Liderança permitisse que um jogador alterasse uma estrutura fora de sua jogada. Mas isso complicaria o fluxo do jogo – e cada jogada tem toda uma estrutura, com três momentos claramente distintos, e isso ia criar muitas regras adicionais (O jogador pode acionar a carta antes de uma crise? E depois da execução, porém antes de uma carta natural?).

Política de versionamento

A primeira versão pública do jogo foi a 1.180416.

No número de versão, o número integral faz referência a um modelo mais amplo do jogo; apenas grandes modificações estéticas (design das cartas) ou estruturais (regras, dinâmica de jogo) devem fazer este número aumentar.

Os decimais fazem referência à data em que a versão foi publicamente lançada, e podem mudar com correções, pequenas modificações, etc.

Como permite a licença do jogo, você pode fazer as modificações que bem entender desde que disponibilize a versão resultante sob a mesma licença, atribua autoria a mim e não a venda. Se você quiser compartilhar as modificações que fez para que outros conheçam e reflitam sobre elas – inclusive compartilhando os resultados, se o jogo ficou melhor, ou pior, ou mais realista, ou mais tático, ou mais divertido, etc. – versione-a como versão de teste. As versões de testes devem acrescentar novos decimais à versão de base utilizada – por exemplo, versão “1.180416.1”. Esse padrão é importante para que as pessoas possam analisar as notas de lançamento e entender a partir de qual base a modificação foi feita.

Cada nota de lançamento atesta a retrocompatibilidade da nova versão com as anteriores. Ser retrocompatível significa que o baralho novo pode ser jogado com regras antigas, e/ou que baralhos antigos podem ser jogados com regras novas.